O atual processo de transformação da sociedade, resultado da globalização, permite cada vez mais a transnacionalização dos negócios e integração dos mercados, possibilitando que, gradativamente, as empresas operem com um alcance maior.

Porém, este processo de expansão dos negócios, se apresenta cada vez mais complexo e envolve inúmeros fatores nas decisões econômicas das empresas.

Recente pesquisa da PriceWaterhouse Coopers mostra que as fraudes ainda são um dos fatores de maior problema para os executivos do mundo todo. Das 5.428 companhias de 40 países entrevistados, 43% informam ter sofrido algum tipo de crime econômico nos últimos dois anos. Além disso, 80% deles informam que esses crimes resultaram em perdas significativas para os resultados das empresas.

Relacionar o aumento de lucro de uma empresa com comportamentos éticos não é uma tarefa fácil.

Em 2002, quando os Estados Unidos passaram por escândalos financeiros, resultando na Lei Sarbanes-Oxley, a mundo dos negócios reclamou alegando que a implementação dos Códigos iria consumir tempo dos executivos e milhões de dólares das empresas. Dez anos depois, empresas de sucesso reconhecem que a implementação de medidas de governança podem torná-las mais eficientes e aumentar seus lucros.

Executivos acreditam que responsabilidade corporativa pode aumentar os lucros, porque eles entendem que isso pode promover o respeito da empresa no mercado, resultando em maiores vendas, aumentando a lealdade dos empregados e atraindo novos talentos para a empresa. Uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit de novembro de 2008 revelou que 74% dos executivos acreditam que a cidadania corporativa pode ajudar a aumentar os lucros e, mais do que isso, a cidadania corporativa está se tornando, a longo prazo, extremamente importante para a saúde financeira das empresas. Como prova disso, em 1991 41% das empresas possuíam Código de ética e conduta. Já em 2009 este número saltou para 78% .

Códigos de ética visam influenciar posturas através de definição de valores, padrões, comportamentos e prática nos negócios. Obviamente, a principal razão pela qual as empresas deveriam adotar códigos de ética e conduta seria para prevenir e evitar fraudes, uma vez que grandes empresas gastam milhões com ações de crimes financeiros e até mesmo prisões de seus dirigentes.

A Association of Certified Fraud Examiners mostrou que uma típica empresa, perde de 5 a 6 por cento de sua receita anual com casos de fraude. Um bom programa de ética pode reduzir este elevado risco. Assim, enquanto a criação e implementação do código de ética e conduta, pode parecer um investimento, uma empresa com forte cultura ética pode ser capaz de prevenir gastos inapropriados e práticas ilegais.

Implementação de códigos de ética permitem às empresas, maior transparência em seus negócios, similaridade de condutas entre os funcionários, diminuição de litígios, retenção de talentos, além do aumento de produtividade.

Empresas cujos valores são percebidos como positivos pela sociedade tendem a ter uma vida longa. Os princípios éticos devem compor a base da cultura de uma empresa e devem estar diretamente associados aos valores da companhia, claros para seus empregados, fornecedores, bem como para a própria sociedade e governo.

Códigos de conduta devem ser únicos e apropriados para cada empresa direcionado à suas especificidades, não sendo possível um modelo que se aplique à todas.
Durante muito tempo questionou-se se o lucro e a ética eram conceitos compatíveis. O mundo atual, no entanto, nos mostra que sim. A ética empresarial pode ser um elemento de valorização e lucratividade da empresa.

Em síntese, é difícil quantificar o quanto uma cultura ética forte pode aumentar os lucros. Porém, os gastos relacionados com a implementação dos códigos de ética são inexpressivos comparados às fraudes e prejuízos que o mesmo é capaz de evitar.

 

Por Marina Laganá, advogada especialista em crimes financeiros e Lucas Kurtz, advogado com ampla experiência em Direito Comercial e compliance internacional, ambos da Manhães Moreira e Ciconelo Sociedade de Advogados.

O atual processo de transformação da sociedade, resultado da globalização, permite cada vez mais a transnacionalização dos negócios e integração dos mercados, possibilitando que, gradativamente, as empresas operem com um alcance maior.

Porém, este processo de expansão dos negócios, se apresenta cada vez mais complexo e envolve inúmeros fatores nas decisões econômicas das empresas.

Recente pesquisa da PriceWaterhouse Coopers mostra que as fraudes ainda são um dos fatores de maior problema para os executivos do mundo todo. Das 5.428 companhias de 40 países entrevistados, 43% informam ter sofrido algum tipo de crime econômico nos últimos dois anos. Além disso, 80% deles informam que esses crimes resultaram em perdas significativas para os resultados das empresas.

Relacionar o aumento de lucro de uma empresa com comportamentos éticos não é uma tarefa fácil.

Em 2002, quando os Estados Unidos passaram por escândalos financeiros, resultando na Lei Sarbanes-Oxley, a mundo dos negócios reclamou alegando que a implementação dos Códigos iria consumir tempo dos executivos e milhões de dólares das empresas. Dez anos depois, empresas de sucesso reconhecem que a implementação de medidas de governança podem torná-las mais eficientes e aumentar seus lucros.

Executivos acreditam que responsabilidade corporativa pode aumentar os lucros, porque eles entendem que isso pode promover o respeito da empresa no mercado, resultando em maiores vendas, aumentando a lealdade dos empregados e atraindo novos talentos para a empresa. Uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit de novembro de 2008 revelou que 74% dos executivos acreditam que a cidadania corporativa pode ajudar a aumentar os lucros e, mais do que isso, a cidadania corporativa está se tornando, a longo prazo, extremamente importante para a saúde financeira das empresas. Como prova disso, em 1991 41% das empresas possuíam Código de ética e conduta. Já em 2009 este número saltou para 78% .

Códigos de ética visam influenciar posturas através de definição de valores, padrões, comportamentos e prática nos negócios. Obviamente, a principal razão pela qual as empresas deveriam adotar códigos de ética e conduta seria para prevenir e evitar fraudes, uma vez que grandes empresas gastam milhões com ações de crimes financeiros e até mesmo prisões de seus dirigentes.

A Association of Certified Fraud Examiners mostrou que uma típica empresa, perde de 5 a 6 por cento de sua receita anual com casos de fraude. Um bom programa de ética pode reduzir este elevado risco. Assim, enquanto a criação e implementação do código de ética e conduta, pode parecer um investimento, uma empresa com forte cultura ética pode ser capaz de prevenir gastos inapropriados e práticas ilegais.

Implementação de códigos de ética permitem às empresas, maior transparência em seus negócios, similaridade de condutas entre os funcionários, diminuição de litígios, retenção de talentos, além do aumento de produtividade.

Empresas cujos valores são percebidos como positivos pela sociedade tendem a ter uma vida longa. Os princípios éticos devem compor a base da cultura de uma empresa e devem estar diretamente associados aos valores da companhia, claros para seus empregados, fornecedores, bem como para a própria sociedade e governo.

Códigos de conduta devem ser únicos e apropriados para cada empresa direcionado à suas especificidades, não sendo possível um modelo que se aplique à todas.
Durante muito tempo questionou-se se o lucro e a ética eram conceitos compatíveis. O mundo atual, no entanto, nos mostra que sim. A ética empresarial pode ser um elemento de valorização e lucratividade da empresa.

Em síntese, é difícil quantificar o quanto uma cultura ética forte pode aumentar os lucros. Porém, os gastos relacionados com a implementação dos códigos de ética são inexpressivos comparados às fraudes e prejuízos que o mesmo é capaz de evitar.

 

Por Marina Laganá, advogada especialista em crimes financeiros e Lucas Kurtz, advogado com ampla experiência em Direito Comercial e compliance internacional, ambos da Manhães Moreira e Ciconelo Sociedade de Advogados.